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Mostrando postagens com o rótulo Resenha

A autorrepresentação de grupos marginalizados na literatura

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O artigo “A auto-representação (sic) de grupos marginalizados: tensões e estratégias na narrativa contemporânea”, publicado, em 2007, na revista Letras de Hoje , editada pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da PUCRS, e escrito por Regina Dalcastagnè, tem como objetivo a discussão a respeito da literatura feita por escritores pertencentes a grupos marginalizados, considerados, no artigo, como aqueles coletivos que sofrem discriminação ou rejeição pela cultura dominante devido a características como gênero, etnia, orientação sexual, classe social ou condição física.  Para tanto, a autora escolhe três escritores como referência: Carolina Maria de Jesus, Paulo Lins e Ferréz. Nesta resenha, deter-me-ei a citar Carolina e deixarei de lado os outros, tendo em vista que eles servem, a meu ver, apenas como reforço ao ponto central de discussão. O argumento inicial da autora em favor da literatura produzida por escritores pertencentes a grupos marginalizados é a importância da diversidad...

[Resenha] Pequenas Coisas como Estas

Com atuações impecáveis e uma narrativa minimalista, o filme nos lembra que, mesmo diante das maiores estruturas de opressão, são as pequenas ações de coragem que têm impacto significativo na vida. O filme Pequenas Coisas Como Estas (2024), dirigido por Tim Mielants e estrelado por Cillian Murphy, é uma obra de profundo impacto emocional e político. Baseado no livro homônimo de Claire Keegan, o longa transporta o espectador para a Irlanda de 1985, onde Bill Furlong, um humilde comerciante de carvão, se depara com uma realidade sombria escondida sob a aparente tranquilidade de sua comunidade: as famigeradas Lavanderias de Madalena. Com uma abordagem contida, mas profundamente expressiva, o filme retrata a vida cotidiana de um homem comum que, ao realizar entregas em um convento local, descobre as condições desumanas impostas às mulheres confinadas naquele espaço. A narrativa se desenrola de forma lenta e sutil, explorando o conflito moral do protagonista e levantando questões sobre cump...

Diário de um homem supérfluo: uma leitura

Pétri de vanité, il avait encore plus de cette espèce d’orgueil, qui fait avouer avec la même indifférence les bonnes comme les mauvaises actions, suite d’un sentiment de supériorité, peut-être imaginaire. (Pushkin, Eugene Onéguine ) Tchulkaturin é daquelas personagens que têm, a princípio, a capacidade de suscitar a simpatia do leitor. Moribundo, começa a narrar sua vida, e começa na infância. Criança infeliz, embora tivesse conforto material e o amor dos pais, suas alegrias se resumiam às brincadeiras no jardim, à amizade de seu cachorro e ao amor que tinha pela criada da casa. Com a morte de seu pai, que o faz chorar copiosamente e o marca definitivamente, muda-se com a mãe e tem de dar adeus ao seu querido jardim como um homem a sua pátria. Quer dizer, já pequeno conhece o degredo, o viver sem pertencer. Tchulkaturin se reconhece e se autodenomina um homem supérfluo , uma quinta roda, por assim dizer, e se sente assim desde criança. Faz condoer o leitor sensível quando relata: ...