Filha contra o pai: Duas visões sobre o progresso do conhecimento
Mary Shelley, née Mary Wollstonecraft Godwin, era filha do anarquista (ou assim o consideraram) William Godwin e da feminista Mary Wollstonecraft. Naturalmente, cresceu para ser intelectual, mas, em vez de seguir na filosofia política, como os pais, enveredou pela ficção. Mas nem por isso deixou de tecer comentários acerca dos assuntos correntes de seu tempo. Afinal, o romance, como já afirmou Antonio Candido, "exprime a realidade segundo um ponto de vista [...] analítico e objetivo"¹. E o ponto de vista da autora de Frankenstein vai de encontro ao de seu pai, ao menos quando o assunto é o progresso do conhecimento. Em seu tratado Enquiry Concerning Political Justice , Godwin escreve: "The extent of our progress in the cultivation of knowledge, is unlimited. Hence it follows that human inventions, and the modes of social existence, are susceptible of perpetual improvement"². Mary Shelley, por sua vez, cr...