O amor e a vida real: uma leitura comparativa de Madame Bovary e Senhora
Quando a ideia de amor toma o lugar do objeto amado e se espera que o real corresponda em todos os aspectos ao ideal, experimenta-se desilusão, que é como acordar de um sonho, ao se perceber a frustrante distância entre o que é e o que deveria ser. Essa idealização do amor, uma regra no romantismo, é bastante criticada pela literatura realista, que enfatiza e escancara a realidade crua dos relacionamentos e da vida "como ela é". Uma obra expoente do realismo que retrata as tensões entre o amor e a vida real é Madame Bovary (1857). Emma Bovary, née Roualt, sonha com o amor, com o extraordinário, com viver e realizar as aventuras dos heróis e das heroínas que admira nas páginas românticas, só para ver suas fantasias pulverizadas pelas coisas comezinhas e pelo aspecto prático da vida, que nos obrigam a pisar no chão. Contra esse fatalismo e em favor de um amor capaz de superar o pragmatismo cotidiano, coloca-se Senhora (1875). Madame Bovary Sob o ...